Riscos Ocupacionais: o que são, tipos, como classificar e aplicar no PGR

tipos de riscos ocupacionais

Os riscos ocupacionais estão presentes em qualquer ambiente de trabalho onde uma atividade possa causar acidente, doença ou dano à saúde do trabalhador. Ele pode surgir de uma máquina sem proteção, de um produto químico, de uma postura inadequada ou até da forma como o trabalho é organizado.

Entender os tipos de riscos ocupacionais é o primeiro passo para prevenir acidentes, reduzir afastamentos e manter a empresa em conformidade com as normas de segurança e saúde no trabalho.

O que são riscos ocupacionais?

Riscos ocupacionais são possibilidades de um trabalhador sofrer lesão, adoecimento ou outro dano à saúde em razão das condições presentes no ambiente de trabalho.

No entanto, é importante separar dois conceitos que costumam ser confundidos: perigo e risco.

O perigo é a fonte que pode causar dano. Já o risco envolve a chance de esse dano acontecer e a gravidade da consequência.

Por exemplo: uma máquina sem proteção é um perigo. A possibilidade de o operador sofrer corte, esmagamento ou amputação durante o uso é o risco.

Assim, os riscos ocupacionais não dependem apenas da existência do perigo. Eles também dependem da exposição, da frequência, da intensidade, das medidas de controle e do modo como a atividade é executada.

Classificação de riscos por cor

classificação de riscos por cor

A classificação dos riscos ocupacionais ajuda a organizar os perigos por natureza. Essa divisão facilita a comunicação com trabalhadores, líderes, RH, SESMT e responsáveis pela gestão de SST.

De forma tradicional, os riscos são agrupados em cinco categorias principais:

CategoriaCor usual no mapa de riscosExemplos
Riscos físicosVerderuído, calor, frio, vibração, radiação
Riscos químicosVermelhopoeiras, gases, vapores, fumos, névoas
Riscos biológicosMarromvírus, bactérias, fungos, parasitas
Riscos ergonômicosAmarelopostura inadequada, repetitividade, esforço excessivo
Riscos de acidentesAzulquedas, choques elétricos, máquinas sem proteção

Essa classificação por cores é muito usada em mapas de riscos e treinamentos. Porém, o mais importante não é apenas decorar as cores. O ponto central é compreender a origem do risco e adotar medidas de prevenção coerentes.

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Tipos de riscos por categoria

Riscos físicos

Os riscos físicos estão relacionados a formas de energia que podem causar dano ao trabalhador.

Entre os exemplos mais comuns, estão:

  • ruído;
  • calor;
  • frio;
  • vibração;
  • umidade;
  • radiações ionizantes;
  • radiações não ionizantes;
  • pressões anormais.

Um trabalhador exposto a ruído intenso por longos períodos, por exemplo, pode desenvolver perda auditiva ocupacional. Por isso, a empresa precisa avaliar a exposição, aplicar controles e acompanhar a saúde do trabalhador.

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Riscos químicos

Os riscos químicos envolvem substâncias que podem entrar em contato com o organismo por inalação, contato com a pele ou ingestão acidental.

Alguns exemplos são:

  • poeiras;
  • fumos metálicos;
  • gases;
  • vapores;
  • solventes;
  • produtos de limpeza;
  • névoas e neblinas químicas.

A NR-9 trata da avaliação e controle das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos quando identificados no PGR, subsidiando medidas de prevenção para esses riscos.

Portanto, não basta saber que existe um produto químico no local. É preciso avaliar como ele é usado, por quanto tempo, em qual concentração e com quais medidas de proteção.

Riscos biológicos

Os riscos biológicos estão ligados à exposição a organismos ou materiais capazes de provocar doenças.

Entre os principais agentes, estão:

  • vírus;
  • bactérias;
  • fungos;
  • protozoários;
  • parasitas;
  • sangue e fluidos corporais;
  • resíduos contaminados.

Esse tipo de risco é comum em hospitais, clínicas, laboratórios, serviços de limpeza, coleta de resíduos, atividades rurais e ambientes com contato direto com material biológico.

Além disso, a prevenção exige cuidados com higiene, vacinação quando aplicável, procedimentos seguros, equipamentos de proteção e descarte adequado de resíduos.

Riscos ergonômicos

Os riscos ergonômicos surgem quando há inadequação entre o trabalho, o trabalhador e as condições em que a atividade é realizada.

Eles podem envolver:

  • postura inadequada;
  • movimentos repetitivos;
  • levantamento de peso;
  • ritmo intenso;
  • mobiliário inadequado;
  • jornada prolongada;
  • esforço físico excessivo;
  • sobrecarga mental.

Embora muitas vezes sejam menos visíveis que uma máquina perigosa, os riscos ergonômicos podem gerar dores, afastamentos, queda de produtividade e doenças relacionadas ao trabalho.

Por isso, a análise da atividade real é indispensável. Em muitos casos, pequenas mudanças no layout, nas pausas, no método de trabalho ou na organização da tarefa já reduzem bastante a exposição.

Riscos de acidentes

Os riscos de acidentes estão ligados a situações que podem causar lesões imediatas.

Entre os exemplos mais comuns, estão:

  • quedas de altura;
  • piso escorregadio;
  • choque elétrico;
  • máquinas sem proteção;
  • ferramentas inadequadas;
  • trânsito interno de empilhadeiras;
  • armazenamento incorreto;
  • incêndio e explosão.

Esse tipo de risco costuma chamar atenção porque o dano pode ser rápido e grave. No entanto, muitas ocorrências poderiam ser evitadas com inspeções, manutenção, sinalização, procedimentos e treinamento adequado.

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Por que os riscos ocupacionais precisam ser avaliados?

Avaliar riscos ocupacionais não é apenas uma obrigação legal. É uma forma de proteger pessoas e melhorar a gestão da empresa.

Além disso, a NR-01 estabelece o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, conhecido como GRO, e o Programa de Gerenciamento de Riscos, o PGR. A própria NR-1 determina que o PGR deve conter, no mínimo, inventário de riscos e plano de ação.

Na prática, isso significa que a empresa precisa identificar perigos, avaliar riscos, definir medidas de prevenção e acompanhar se essas medidas estão funcionando.

Quando esse processo é bem feito, a organização reduz acidentes, melhora a saúde ocupacional, evita retrabalho e cria evidências para auditorias e fiscalizações.

Riscos ambientais na segurança do trabalho

A expressão riscos ambientais segurança trabalho costuma aparecer em pesquisas porque, por muito tempo, o tema foi associado principalmente aos agentes físicos, químicos e biológicos.

Ainda hoje, esses agentes continuam importantes. A NR-9, por exemplo, estabelece requisitos para avaliação das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos e determina que sua identificação considere atividades, formas de exposição, possíveis lesões, medidas existentes e grupos de trabalhadores expostos.

No entanto, a gestão atual de SST é mais ampla. Além dos riscos ambientais, a empresa também precisa observar riscos ergonômicos, de acidentes e fatores psicossociais relacionados ao trabalho.

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Riscos psicossociais também merecem atenção

Os riscos psicossociais ganharam mais espaço nas discussões de SST porque afetam diretamente a saúde mental, o desempenho e a segurança dos trabalhadores.

Eles podem estar associados a fatores como:

  • metas incompatíveis;
  • excesso de cobrança;
  • conflitos constantes;
  • assédio moral;
  • falta de apoio da liderança;
  • baixa autonomia;
  • jornadas desgastantes;
  • comunicação falha.

O Ministério do Trabalho e Emprego publicou guia sobre fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho e destacou que a NR-1 passou a incluir expressamente esses fatores no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.

Apesar disso, é importante ter equilíbrio. Avaliar risco psicossocial não significa diagnosticar individualmente o trabalhador. Significa observar como a organização do trabalho pode contribuir para adoecimento, desgaste ou insegurança.

Tipos de exposição ao risco

Os tipos de exposição ao risco ajudam a entender como o trabalhador entra em contato com determinado perigo.

Essa avaliação pode considerar:

  • frequência: se a exposição acontece todos os dias ou apenas em situações específicas;
  • duração: quanto tempo o trabalhador permanece exposto;
  • intensidade: qual o nível, concentração ou força do agente;
  • via de contato: inalação, pele, audição, visão, esforço físico ou contato direto;
  • grupo exposto: quais funções ou setores estão envolvidos;
  • controles existentes: EPIs, EPCs, procedimentos, ventilação, isolamento ou automação.

Por exemplo, dois trabalhadores podem estar no mesmo setor, mas ter exposições diferentes. Um opera a máquina durante toda a jornada. O outro passa pelo local apenas algumas vezes ao dia. Logo, a avaliação não deve ser genérica.

Como prevenir os riscos ocupacionais?

A prevenção deve seguir uma lógica simples: primeiro, tentar eliminar o perigo. Quando isso não for possível, reduzir a exposição e aplicar controles adequados.

Entre as principais medidas de prevenção, estão:

  • eliminar o risco sempre que possível;
  • substituir produtos ou processos perigosos;
  • instalar proteções coletivas;
  • melhorar ventilação, isolamento ou sinalização;
  • ajustar layout e organização do trabalho;
  • criar procedimentos claros;
  • treinar trabalhadores e lideranças;
  • fornecer EPIs adequados;
  • acompanhar indicadores e ocorrências;
  • revisar o PGR periodicamente.

Além disso, a empresa deve manter inventário de riscos atualizado, plano de ação acompanhado e integração com o PCMSO. Assim, a prevenção deixa de ser uma ação pontual e passa a fazer parte da rotina.

Riscos ocupacionais e as normas

As normas relacionadas ao tema incluem a NR-1, NR-9, NR-15, NR-17, NR-32 e outras normas específicas conforme a atividade da empresa.

A NR-1 é a base do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e do PGR. Já a NR-9 trata da avaliação e controle das exposições a agentes físicos, químicos e biológicos.

Também existem normas específicas para eletricidade, máquinas, construção civil, saúde, espaços confinados, trabalho em altura e outras atividades. Portanto, a classificação do risco deve sempre considerar a operação real da empresa.

Conclusão

Compreender os tipos de riscos ocupacionais não é apenas uma exigência técnica, é o ponto de partida para uma gestão de SST que protege pessoas e preserva a empresa de passivos trabalhistas, autuações e afastamentos custosos.

Conhecer a classificação dos riscos, avaliar os níveis de exposição e estruturar o PGR com base nessa análise permite agir com precisão onde o risco de fato existe, e não apenas cumprir protocolo. Com a atualização da NR-1 e a exigência do gerenciamento de riscos psicossociais, essa responsabilidade ficou ainda mais abrangente.

Mas mapear não basta. O diferencial está em manter o inventário de riscos atualizado, registrar evidências, envolver lideranças e garantir que os trabalhadores compreendam os riscos a que estão expostos. É esse ciclo contínuo que transforma a gestão de riscos em cultura, e cultura em resultado.

Perguntas Frequentes sobre tipos de riscos ocupacionais

O que são tipos de riscos ocupacionais?

São grupos de riscos que podem afetar a saúde ou segurança do trabalhador, como riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.

O que é classificação dos riscos ocupacionais?

É a forma de organizar os riscos conforme sua natureza, origem e potencial de dano, facilitando a prevenção e o controle dentro da empresa.

Quais são as categorias de riscos ocupacionais?

As principais categorias são: físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. Também podem ser considerados riscos psicossociais.

O que são riscos ambientais na segurança do trabalho?

São riscos presentes no ambiente laboral, geralmente ligados a agentes físicos, químicos e biológicos, como ruído, poeiras, gases e microrganismos.

Quais são os tipos de agentes de risco?

Os agentes de risco podem ser físicos, químicos, biológicos, ergonômicos, mecânicos ou relacionados à organização do trabalho.

Quais normas tratam dos riscos ocupacionais?

A NR-1 trata do gerenciamento de riscos ocupacionais, enquanto a NR-9 aborda exposições a agentes físicos, químicos e biológicos.

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Anderson Fernandes
Com formação superior é técnico em Segurança do Trabalho do Sistema Metra. Há 30 anos trabalhando ininterruptamente na área desde 2002. Formado ainda no Curso de Tecnólogo em Segurança do Trabalho e cursando Engenharia visando a pós graduação em Segurança do Trabalho. Atua ainda como intérprete de LIBRAS e atualmente é consultor de diversas empresas em ramos de atividade como: Mineração, Automobilística, Manutenção Elétrica de Grande Porte, Cerâmica, Refratários, Saúde entre outros. É proprietário da empresa Mais Saúde e Segurança do Trabalho e atende seus clientes de forma personalizada moldando ações conforme as características de cliente.

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