Ergonomia no trabalho: o que é, objetivos e como funciona na prática

orientacao ergonomica

A busca por ambientes de trabalho seguros, salubres e produtivos é o objetivo central da segurança e saúde ocupacional. Nesse contexto, a ergonomia desempenha um papel fundamental ao integrar conceitos técnicos e científicos para transformar a relação entre os trabalhadores e suas atividades diárias.

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O que é Ergonomia?

A palavra ergonomia tem origem grega na junção de ergon (trabalho) e nomos (leis naturais). A primeira definição formal da área remonta ao meio do século XIX, com o pesquisador polonês Wojciech Jastrzebowski, estabelecendo que o trabalho humano envolve esforço, pensamento, relacionamento e dedicação.

Em termos práticos, a ergonomia é a ciência que estuda a adaptação do trabalho ao homem. Seu objetivo é tornar as condições, ferramentas, produtos e postos de trabalho compatíveis com as características, capacidades e limitações psicofisiológicas dos indivíduos, prevenindo acidentes, doenças ocupacionais e desconfortos. Em vez de emitir julgamentos pessoais, a ergonomia baseia-se na observação objetiva e na coleta de dados sobre como as atividades realmente acontecem no ambiente de trabalho.

Os Três Pilares Fundamentais da Ergonomia

Para adaptar as condições de trabalho às pessoas, a ergonomia apoia-se em três campos científicos principais:

1. Antropometria

A antropometria é a ciência que trata das medidas do corpo humano. Como é inviável projetar equipamentos e postos de trabalho sob medida para cada indivíduo, a indústria utiliza dados estatísticos populacionais (divididos em percentis de 5%, 50% e 95%) para dimensionar mesas, cadeiras, painéis e ferramentas.

  • Antropometria Estática: Mede o corpo em posições fixas (ex.: trabalho sentado em escritório).
  • Antropometria Dinâmica: Considera o corpo em movimento (ex.: montagem de peças em bancadas).
  • Antropometria Funcional: Avalia medidas aplicadas a tarefas específicas (ex.: acionamento de manivelas).

2. Biomecânica Ocupacional

A biomecânica estuda os movimentos do corpo humano sob a perspectiva das leis da física e da mecânica. Ela analisa o funcionamento muscular e articular para evitar lesões decorrentes de posturas inadequadas, uso excessivo de força e movimentos repetitivos.

  • Trabalho Muscular Estático vs. Dinâmico: O trabalho muscular estático (manter uma postura travada por longo tempo) prejudica a circulação e provoca fadiga rápida e dores. Já o trabalho dinâmico (alternância de contração e relaxamento) estimula a circulação sanguínea e é benéfico ao organismo.
  • Prevenção de LER/DORT: A falta de equilíbrio entre esforço e pausa pode desencadear traumatismos cumulativos como Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), manifestados em tendinites e tenossinovites.

3. Fisiologia do Trabalho

A fisiologia aborda as funções orgânicas e o consumo de energia do corpo durante o trabalho. Aspectos como o ritmo circadiano (as variações térmicas e hormonais ao longo das 24 horas do dia) influenciam diretamente o estado de alerta dos trabalhadores. Trabalhadores de perfil matutino, por exemplo, cometem mais erros se alocados no turno da noite, exigindo planejamento cuidadoso em escalas de revezamento para evitar fadiga crônica.

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Fatores de Risco Ergonômico e Condições Ambientais

Diversas situações cotidianas no ambiente de trabalho representam riscos ergonômicos quando não ajustadas:

  • Posturas Inadequadas: Trabalhar em pé por longos períodos provoca dores nas pernas e varizes; assentos sem encosto ou com altura inadequada geram sobrecarga na coluna lombar e pescoço (inclinações de cabeça superiores a 30° devem ser evitadas).
  • Manuseio Manual de Cargas: Cerca de 60% dos traumas musculares decorrem do levantamento incorreto de peso. A carga de referência para levantamento individual é de 23 kg. Para reduzir a força de compressão nos discos intervertebrais (especialmente na região L5/S1), a carga deve ser mantida o mais próxima possível do corpo.
  • Iluminação Adequada: Avaliada conforme a norma NHO 11 da Fundacentro (medida em lux), a iluminação afeta a produtividade e o conforto visual. Tarefas de escritório exigem cerca de 500 lux, enquanto trabalhos de alta precisão requerem até 1000 lux para prevenir astenopia (cansaço visual) e acidentes.

Ferramentas e Métodos de Avaliação Ergonômica

Para diagnosticar e corrigir problemas nos postos de trabalho, a ergonomia utiliza metodologias reconhecidas e normatizadas:

Análise Ergonômica do Trabalho (AET)

Exigida pela Norma Regulamentadora NR-17 do Ministério do Trabalho/Economia, a AET é o instrumento que avalia a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. A AET analisa desde a demanda inicial e organização da produção até a diferença entre a tarefa prescrita (o que a empresa espera) e a tarefa real (o que o operador realmente precisa fazer para entregar o resultado), formulando diagnósticos e projetos de alteração.

Método NIOSH

Ferramenta quantitativa utilizada para calcular o Limite de Peso Recomendado (LPR) e o Índice de Levantamento (IL) em tarefas de manuseio manual de cargas. Um valor de IL menor que 1 indica condição segura; valores superiores a 2 sinalizam risco elevado de lesão na coluna vertebral, exigindo intervenções imediatas (como o uso de equipamentos auxiliares ou divisão da carga entre trabalhadores).

Método RULA (Rapid Upper Limb Assessment)

Metodologia que pontua as angulações e posturas adotadas no pescoço, tronco, pernas e membros superiores (braço, antebraço e punho), além de considerar a força e a repetitividade da tarefa. O resultado final gera um nível de ação que indica se a postura é aceitável ou se exige mudanças na estação de trabalho.

Conclusão

A ergonomia não se limita à escolha de uma cadeira confortável ou ao ajuste de um monitor. Trata-se de uma abordagem abrangente que combina antropometria, biomecânica e fisiologia para reestruturar o meio ambiente laboral. Ao aplicar ferramentas como a AET, o NIOSH e o RULA, as organizações previnem acidentes e LER/DORT, promovendo um ambiente de trabalho sustentável, seguro e eficiente.

Foto de Anderson Fernandes
Anderson Fernandes
Com formação superior é técnico em Segurança do Trabalho do Sistema Metra. Há mais de 20 anos trabalhando ininterruptamente na área da SST. Formado ainda no Curso de Tecnólogo em Segurança do Trabalho e cursando Engenharia visando a pós graduação em Segurança do Trabalho. Atua ainda como intérprete de LIBRAS e atualmente é consultor de diversas empresas em ramos de atividade como: Mineração, Automobilística, Manutenção Elétrica de Grande Porte, Cerâmica, Refratários, Saúde entre outros. É proprietário da empresa Mais Saúde e Segurança do Trabalho e atende seus clientes de forma personalizada moldando ações conforme as características de cliente.

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