Fazer um programa de gerenciamento de riscos é a forma como a sua empresa demonstra, na prática, que leva a sério a segurança de quem trabalha ali, identificando problemas, avaliando riscos, criando soluções e verificando se essas soluções realmente funcionam no dia a dia.
Mas antes de qualquer coisa, existe um ponto fundamental: o PGR precisa refletir a realidade da sua empresa. Não existe receita de bolo que sirva para todo mundo. Cada negócio tem seus setores, seus cargos, suas rotinas, seus riscos específicos, e o programa precisa considerar tudo isso: quem faz o quê, quem está exposto a quê, o que existe no ambiente e o que já vem sendo feito para prevenir acidentes.
Pensando nisso, preparamos um guia direto ao ponto com 7 passos para te ajudar a elaborar um PGR de verdade, não só no papel, mas na prática. Ao longo dele, você vai entender o que deve constar no inventário de riscos, como estruturar um plano de ação eficiente e quais são os erros mais comuns que aparecem na hora de montar o documento.
Resumo rápido: como fazer um PGR
- Levantar Informações: Saiba mais sobre os ambientes de trabalho, processos, cargos e o que as pessoas fazem.
- Identificar Perigos: Encontre fontes de riscos.
- Avaliar Riscos: Veja quais riscos são mais importantes.
- Inventário de Riscos: Liste todos os riscos.
- Plano de Ação: Crie um plano para reduzir os riscos.
- Implementar Medidas: Coloque os planos em prática.
- Monitorar e Revisar: Acompanhe os resultados e ajuste o programa.
É importante documentar tudo, mas o PGR não deve ficar guardado em uma gaveta. Ele deve ser usado para ajudar a empresa a diminuir riscos e melhorar o trabalho.
Qual a diferença entre PGR e GRO?
O PGR, ou programa de gerenciamento de riscos por sua vez, é a materialização desse processo em documentos físicos ou digitais. Em outras palavras, o GRO é a gestão dos riscos, enquanto o PGR é a documentação organizada dessa gestão.
O GRO, ou gerenciamento de riscos ocupacionais, é o processo de gestão. Ele envolve as ações contínuas de identificação, avaliação, controle e acompanhamento dos riscos ocupacionais.
Por isso, elaborar um PGR não significa apenas gerar um arquivo. É preciso demonstrar que a empresa tem um processo ativo para reconhecer perigos, controlar riscos e acompanhar as medidas adotadas.
O que deve conter em um Programa de Gerenciamento de Riscos?
O programa de gerenciamento de riscos deve conter, no mínimo, dois documentos principais: o inventário de riscos ocupacionais e o plano de ação. No entanto, para que o programa fique completo e útil, é recomendável organizar outras informações de apoio.
Veja uma estrutura prática:
| Parte do PGR | O que deve conter |
|---|---|
| Caracterização da empresa | Dados da empresa, CNAE, grau de risco, setores, ambientes e atividades |
| Caracterização dos trabalhadores | Cargos, funções, número de expostos e grupos de exposição |
| Inventário de riscos | Perigos, fontes geradoras, possíveis danos, trabalhadores expostos, avaliação e classificação dos riscos |
| Critérios de avaliação | Metodologia usada, matriz de risco, critérios de probabilidade e severidade |
| Medidas existentes | EPCs, EPIs, procedimentos, treinamentos e controles já implantados |
| Plano de ação | Ações preventivas, responsáveis, prazos, prioridades, evidências e status |
| Registros e revisões | Histórico de atualizações, inspeções, treinamentos, medições e acompanhamento das ações |
Essa organização facilita a fiscalização, melhora a gestão interna e ajuda o responsável técnico a acompanhar o que precisa ser corrigido, melhorado ou mantido.

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Quem deve elaborar o PGR?
O PGR deve ser elaborado por pessoa ou equipe com conhecimento suficiente para identificar perigos, avaliar riscos e propor medidas de prevenção adequadas.
Na prática, muitas empresas contam com profissionais de Segurança do Trabalho, consultorias especializadas ou sistemas de gestão de SST para estruturar o programa. No entanto, é importante lembrar que a responsabilidade pela implementação do PGR é da organização.
Além disso, em algumas situações específicas, pode ser necessário envolver profissionais legalmente habilitados, especialmente quando houver avaliações técnicas, laudos, exigências de outras Normas Regulamentadoras ou necessidade de emissão de ART.
Toda empresa precisa fazer PGR?
De forma geral, empresas que mantêm trabalhadores como empregados devem providenciar o PGR. Porém, existem exceções previstas na NR-01.
O MEI está dispensado de elaborar o PGR. Além disso, microempresas e empresas de pequeno porte, classificadas como grau de risco 1 e 2, podem ficar dispensadas da elaboração do PGR quando, no levantamento preliminar de perigos, não forem identificadas exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos, observadas as condições previstas na norma.
Apesar disso, a dispensa não deve ser presumida sem análise. Antes de concluir que a empresa não precisa elaborar o PGR, é recomendável realizar uma avaliação técnica do ambiente e das atividades executadas.
Como fazer um PGR em 7 passos
Agora que você já entendeu a estrutura do programa, veja como elaborar um PGR de forma prática e organizada.
1. Faça o levantamento preliminar de perigos
O primeiro passo para elaborar um PGR é conhecer a empresa. Antes de preencher qualquer modelo, o responsável deve entender como o trabalho acontece na prática.
Esse levantamento deve considerar:
- setores da empresa;
- ambientes de trabalho;
- cargos e funções;
- atividades rotineiras e não rotineiras;
- máquinas, ferramentas e equipamentos utilizados;
- produtos químicos manuseados;
- número de trabalhadores expostos;
- jornada, turnos e formas de organização do trabalho;
- histórico de acidentes, incidentes e afastamentos;
- medidas de controle já existentes.
Além disso, é importante conversar com os trabalhadores. Muitas vezes, quem executa a atividade todos os dias consegue apontar riscos que não aparecem em uma análise feita apenas por documentos.
Por exemplo, um setor pode parecer seguro durante uma visita rápida, porém os trabalhadores podem relatar ruído excessivo em horários específicos, calor em determinado período do dia ou dificuldade no uso de um equipamento.
2. Identifique os perigos e as fontes geradoras
Depois de conhecer a empresa, o próximo passo é identificar os perigos presentes nos ambientes e nas atividades.
Perigo é toda fonte, situação ou condição com potencial de causar lesão, agravo à saúde ou acidente. Já o risco está relacionado à chance de esse perigo causar dano e à gravidade desse dano.
Na prática, os perigos podem ser classificados em grupos, como:
| Grupo de risco | Exemplos |
|---|---|
| Físicos | Ruído, calor, vibração, radiações e frio |
| Químicos | Poeiras, fumos, névoas, gases, vapores e produtos químicos |
| Biológicos | Vírus, bactérias, fungos e material biológico |
| Ergonômicos | Postura inadequada, esforço repetitivo, levantamento de carga e ritmo excessivo |
| Acidentes | Quedas, cortes, choques elétricos, máquinas sem proteção, incêndio e atropelamento interno |
Também é importante registrar a fonte geradora do perigo. Por exemplo, não basta escrever apenas “ruído”. O ideal é indicar de onde ele vem, como “compressor”, “serra circular”, “máquina de corte” ou “linha de produção”.
Esse detalhe torna o inventário mais técnico e facilita a definição das medidas de controle.
3. Avalie e classifique os riscos ocupacionais
Após identificar os perigos, é necessário avaliar os riscos. Essa etapa ajuda a entender quais situações exigem ação imediata e quais podem ser tratadas com menor urgência.
A avaliação normalmente considera dois fatores principais:
- Probabilidade: chance de o dano acontecer;
- Severidade: gravidade do dano caso ele aconteça.
A partir desses critérios, é possível classificar o risco como baixo, médio, alto ou crítico, conforme a metodologia adotada pela empresa.
Leia também: Tipos de riscos ocupacionais
Por exemplo, uma atividade com exposição frequente a uma máquina sem proteção pode ter alta probabilidade e alta severidade. Portanto, deve receber prioridade no plano de ação.
Já uma atividade com exposição eventual e dano leve pode ter classificação menor. Mesmo assim, ela deve ser registrada e acompanhada, pois o PGR precisa refletir a realidade do ambiente de trabalho.
4. Elabore o inventário de riscos
O inventário de riscos é uma das partes mais importantes do PGR. Ele reúne os perigos identificados, os riscos avaliados, os trabalhadores expostos e as medidas de controle existentes.
Um bom inventário precisa ser claro o suficiente para que qualquer pessoa da área de SST entenda onde está o risco, quem está exposto e o que deve ser feito.
Veja um modelo simples de estrutura:
| Setor | Cargo | Perigo | Fonte geradora | Dano possível | Expostos | Probabilidade | Severidade | Nível de risco | Medidas existentes |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Produção | Operador de máquina | Ruído | Máquina de corte | Perda auditiva | 4 | Média | Alta | Alto | Protetor auditivo e manutenção preventiva |
| Almoxarifado | Auxiliar | Queda de materiais | Empilhamento inadequado | Contusão ou fratura | 2 | Média | Média | Médio | Organização parcial do estoque |
| Limpeza | Auxiliar de limpeza | Produto químico | Desinfetante concentrado | Irritação na pele e olhos | 1 | Baixa | Média | Baixo | Luvas e orientação verbal |
Esse tipo de tabela ajuda a transformar a avaliação em informação prática. Além disso, facilita a criação do plano de ação, pois os riscos mais relevantes ficam mais visíveis.
5. Monte o plano de ação
Depois de elaborar o inventário, é hora de criar o plano de ação. Essa etapa mostra o que será feito para eliminar, reduzir ou controlar os riscos identificados.
O plano de ação deve ser objetivo. Ele precisa indicar qual medida será tomada, quem será responsável, qual o prazo e como a empresa vai comprovar que a ação foi executada.
Veja um exemplo:
| Risco identificado | Ação preventiva | Responsável | Prazo | Prioridade | Evidência | Status |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ruído elevado na produção | Realizar medição ocupacional e avaliar necessidade de controle coletivo | Técnico de Segurança | 30 dias | Alta | Relatório de medição | Pendente |
| Queda de materiais no almoxarifado | Reorganizar estoque e instalar sinalização de limite de empilhamento | Supervisor | 15 dias | Média | Fotos e checklist | Em andamento |
| Contato com produto químico | Treinar trabalhador e revisar FISPQ dos produtos utilizados | RH / SST | 20 dias | Média | Lista de presença | Pendente |
Além disso, o plano precisa ser acompanhado. Não adianta criar uma lista de ações e nunca verificar se elas foram executadas.
O ideal é revisar o status periodicamente, atualizar evidências e registrar quando uma medida foi concluída. Assim, o PGR deixa de ser um documento parado e passa a funcionar como ferramenta de gestão.
6. Implemente as medidas de prevenção
Com o plano de ação definido, a empresa deve colocar as medidas em prática.
As medidas de prevenção podem incluir:
- eliminação do perigo;
- substituição de produtos, máquinas ou processos;
- instalação de proteções coletivas;
- melhorias de layout;
- sinalização de segurança;
- procedimentos operacionais;
- treinamentos;
- fornecimento e controle de EPIs;
- manutenção preventiva;
- medidas administrativas.
Sempre que possível, a prioridade deve ser controlar o risco na origem. Por exemplo, antes de depender apenas do uso de protetor auditivo, a empresa deve avaliar se é possível reduzir o ruído na máquina, isolar a fonte ou aplicar outro controle coletivo.
O equipamento de proteção individual é importante, porém não deve ser tratado como única solução quando existem medidas mais eficazes disponíveis.
7. Monitore, registre e revise o programa de gerenciamento de riscos
O PGR não termina quando o documento é gerado. Pelo contrário, ele precisa ser acompanhado ao longo do tempo.
A empresa deve verificar se as medidas de controle foram implementadas, se estão funcionando e se os riscos foram reduzidos. Para isso, pode usar inspeções, checklists, medições, registros fotográficos, treinamentos, entrevistas com trabalhadores e indicadores de SST.
Além disso, a avaliação de riscos deve ser revista quando ocorrerem mudanças que possam alterar os riscos ocupacionais, como:
- implantação de novas máquinas;
- mudança de layout;
- alteração de processos;
- criação de novos cargos ou atividades;
- uso de novos produtos químicos;
- acidente ou doença relacionada ao trabalho;
- identificação de falhas nas medidas de prevenção;
- mudança em requisitos legais;
- necessidade de avaliar riscos residuais após implantação de medidas.
Portanto, o PGR deve acompanhar a realidade da empresa. Se o ambiente muda e o documento não muda, o programa deixa de representar a prática.
Exemplo prático de inventário de riscos
Imagine uma pequena indústria com setor de corte, almoxarifado e limpeza. Durante a visita técnica, foram identificados três riscos principais: ruído na máquina de corte, queda de materiais no estoque e contato com produto químico na limpeza.
O inventário poderia ficar assim:
| Ambiente | Atividade | Perigo | Possível dano | Avaliação | Medida recomendada |
|---|---|---|---|---|---|
| Produção | Corte de peças | Ruído gerado por máquina | Perda auditiva induzida por ruído | Risco alto | Medição de ruído, manutenção, proteção coletiva e controle de EPI |
| Almoxarifado | Armazenamento | Empilhamento inadequado | Queda de materiais e fraturas | Risco médio | Padronizar empilhamento, sinalizar área e treinar equipe |
| Limpeza | Diluição de produto | Produto químico concentrado | Irritação e queimadura | Risco médio | Revisar FISPQ, treinar trabalhador e fornecer EPI adequado |
Perceba que o inventário não precisa ser complicado para ser útil. Ele precisa ser bem feito, coerente com a realidade e conectado ao plano de ação.
Exemplo prático de plano de ação do PGR
A partir do inventário acima, o plano de ação pode ser estruturado assim:
| O que será feito? | Por que será feito? | Quem fará? | Quando? | Como comprovar? |
|---|---|---|---|---|
| Realizar avaliação de ruído | Confirmar nível de exposição dos trabalhadores | Técnico de Segurança | Até 30 dias | Relatório técnico |
| Revisar organização do almoxarifado | Reduzir risco de queda de materiais | Encarregado do setor | Até 15 dias | Fotos e checklist |
| Treinar equipe de limpeza | Evitar contato inadequado com produto químico | SST / RH | Até 20 dias | Lista de presença |
| Atualizar controle de EPI | Garantir uso e troca adequada dos equipamentos | Almoxarifado / SST | Mensalmente | Ficha de EPI atualizada |
Esse formato facilita a gestão, pois mostra claramente o que precisa ser feito e como a empresa vai acompanhar cada ação.
Erros comuns ao elaborar um PGR
Muitas empresas até possuem um PGR, porém o documento não representa a realidade do ambiente de trabalho. Esse é um dos erros mais comuns.
Veja outros problemas frequentes:
Copiar um modelo pronto sem adaptar
Modelos ajudam, porém não substituem a análise real da empresa. Um PGR copiado pode deixar riscos importantes de fora e gerar falsa sensação de conformidade.
Confundir perigo com risco
Perigo é a fonte de dano. Risco é a combinação entre a chance de ocorrer dano e a gravidade desse dano. Essa diferença é importante para avaliar corretamente cada situação.
Não envolver os trabalhadores
Os trabalhadores conhecem detalhes da rotina que nem sempre aparecem na documentação. Por isso, ouvir quem executa as atividades melhora a qualidade do levantamento.
Criar plano de ação genérico
Um plano de ação com frases como “realizar melhorias” ou “orientar colaboradores” é fraco. O ideal é definir ação específica, responsável, prazo e evidência.
Não acompanhar as ações
O PGR precisa ser vivo. Se as ações não são acompanhadas, o documento perde força e a empresa não consegue demonstrar melhoria contínua.
Não revisar o programa
Mudanças em máquinas, processos, produtos, layout e atividades podem alterar os riscos. Portanto, o PGR deve ser revisado sempre que essas mudanças ocorrerem.
Como um software ajuda a elaborar o PGR
Elaborar um PGR manualmente pode ser trabalhoso, principalmente para consultorias e empresas que precisam gerenciar vários clientes, unidades ou setores.
Um software de SST ajuda a padronizar informações, organizar o inventário de riscos, controlar o plano de ação, registrar evidências e manter o histórico de revisões.
Além disso, o sistema reduz retrabalho. Em vez de montar documentos do zero a cada nova empresa, o profissional consegue usar cadastros, modelos, critérios e relatórios estruturados.
Com o Sistema Metra, consultores e assessorias de Segurança do Trabalho podem elaborar e gerenciar o PGR com mais agilidade, mantendo as informações organizadas e alinhadas à rotina de segurança e saúde no trabalho.
Checklist para elaborar um PGR
Antes de finalizar o PGR, confira se o documento responde às principais perguntas:
- A empresa foi caracterizada corretamente?
- Os setores e ambientes foram descritos?
- Os cargos e trabalhadores expostos foram identificados?
- Os perigos foram levantados por atividade?
- As fontes geradoras foram registradas?
- Os riscos foram avaliados por probabilidade e severidade?
- O inventário de riscos está completo?
- As medidas de controle existentes foram descritas?
- O plano de ação possui responsáveis e prazos?
- As evidências de execução serão registradas?
- Há previsão de monitoramento e revisão?
- O documento está acessível para consulta e fiscalização?
Se a resposta for “não” para algum item, vale revisar o PGR antes de considerá-lo concluído.
Perguntas frequentes sobre como fazer um PGR
O que é necessário para elaborar um PGR?
Para fazer um PGR, é necessário levantar informações sobre a empresa, identificar perigos, avaliar riscos, elaborar o inventário de riscos, montar o plano de ação e acompanhar a implementação das medidas de prevenção.
Toda empresa precisa elaborar PGR?
Em regra, empresas com empregados devem elaborar PGR. Porém, a NR-01 prevê dispensas para MEI e para algumas microempresas e empresas de pequeno porte de grau de risco 1 e 2, desde que atendam às condições previstas na norma.


